quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

TAN 00.11.02 – ESTEREÓTIPOS E BARTHES – final





  
TAN 00.11.02 – ESTEREÓTIPOS E BARTHES – final

Introdução

A importância dos “Estereótipos” foi justificada na formação da estrutura do Burlesco com base na definição de Barthes, em relação ao uso dos chamados “mitos” (ou falas) como formas de aplicação de “Ideologias”, pelo Poder. Lembramos que os Fundamentos “Lógicos”, “Ideológicos” e “Comportamentais”, são os Fundamentos basilares da estrutura que definimos no “Burlesco”.

Nesta postagem, consideramos ideias de “Estereótipos” alinhadas a posturas que implicam conceitos do cômico, do humor e do chiste, respectivamente, relativos àqueles fundamentos (Lógicos, Ideológicos e Comportamentais) mostrados na estrutura do “Burlesco”.
     
      Em “Os dez amigos de Freud”, (Rouanet, Sérgio Paulo –– São Paulo: Companhia das Letras, 2003), ref. (17), o autor comenta que Freud usa a obra de Mark Twain enquanto fonte de exemplos e justificativas para suas teorias, inclusive para a Teoria Freudiana do Chiste, do Cômico e do Humor, que utilizamos como referência para o desenvolvimento da estrutura do Burlesco. Freud fornece prescrições básicas de posturas para a ocorrência do Cômico, Chiste e do Humor.          


CONFRARIAS DO RISO -TRASMONTANO - 001.2012

Sob este título são comentadas no blog, contribuições sobre o uso de termos e conceitos definidos no “Burlesco”. Ver link:
https://licburlesco.blogspot.com/2012/06/confrarias-do-riso-trasmontano-0012012.html

E-mail de (26.05.2012) da CONFRARIAS DO RISO – TRASMONTANO, dos amigos José Neves e Transmontano, comenta essa postagem, conferindo conceitos sobre o Cômico, o Chiste e o Humor, segundo Sigmundo Freud (1856 – 1939) –pssiquiatra, postado no blog em (2.4.1) – Revendo Comportamentos – (f) Inconsciente.

“Caro José

Entrei no Burlesco e me encontrei com as bizarrices argentinas, e elas parecem estar fazendo um tremendo sucesso na propaganda brasileira. Não me recordo de haver visto essa que comentaste, mas há outras 3 atualíssimas que podem traduzir perfeitamente conceitos do Burlesco:

1. Sandálias Havaianas - no ponto de venda: (cômico)
Alguns argentinos e brasileiros discutem sobre quem seria mais "engraçado", brasileiros ou argentinos?
Entretanto, um dos argentinos pergunta ao atendente da loja se não teria sandálias Havaianas estampadas com a bandeira Argentina. O atendente não consegue parar de rir e os brasileiros finalmente concordam: os argentinos são mais engraçados.
Pessoalmente, vejo nessa propaganda, um quase símbolo nacional representado pelo produto (sandália), ameaçado de ser "manchado" por um símbolo argentino (a bandeira). Ridículo, bizarro, impossível!

2. Carro Fox - dentro do carro (humor)
Um rapaz, supostamente gay, confessa, depois de 5 anos de relacionamento, ao seu parceiro, que ele não é brasileiro, e sim argentino (impossível não saber pelo seu sotaque inconfundível), ao que o parceiro brasileiro, sem dar a menor importância ao que o outro falou, responde com uma pergunta: Tudo o que precisávamos para o churrasco coube no carro? E o vídeo corta para a enorme quantidade de coisas que cabem no carro.

Aqui eu detecto uma reconciliação das culturas nacionalistas brasileira e Argentina, quase sempre antagônicas. Não importa se um é brasileiro e o outro é argentino; o que importa é que estão juntos, ainda que pareça ter sobrado uma ponta de inocência para o argentino, ao imaginar que o outro não sabia da sua nacionalidade.

3. Coleção de autores brasileiros, portugueses e hispânicos em geral (acho que era da Folha). (chiste)
Um peruano, um português e uma "mãe" argentina revelam seus estereótipos:
O português queixa-se das anedotas habituais;
O peruano queixa-se de que só aparece "tocando su flautita";
E a "mãe" argentina queixa-se de que "y yo....(levanta-se após longo silêncio)...más respeto, por favor".
É cruel, mas sutil e sublime.

Abs. e bom fim de semana.

JC - 26/05/12
       

COMENTÁRIOS do editor do blog.

Vamos conferir essas posturas (Cômico, Humor e Chiste) com os correspondentes estereótipos aos quais estão alinhados.  

1. A primeira piada reveste-se de uma postura do CÔMICO.
O argentino tenta colocar do seu lado o julgamento crítico do interlocutor (brasileiro), mas o faz de forma cômica. O amigo Neves se diverte: “Ridículo, bizarro, impossível!”

2. A segunda piada mostra a postura do HUMOR.
Ao fazer pergunta o brasileiro pretende ficar desobrigado da necessidade de experimentar sentimentos penosos (reconhecer a parceria homossexual), ou como analisa o Neves, “pareça ter sobrado uma ponta de inocência para o argentino, ao imaginar que o outro não sabia da sua nacionalidade”.

3. A terceira piada, como diz o Neves, “É cruel, mas sutil e sublime” e associa a postura do chiste, revelando o condicionamento do interlocutor (brasileiro?),  em relação ao estereótipo transferido pela mãe do argentino :"y yo....(levanta-se após longo silêncio)...más respeto, por favor".
Observando a atitude do brasileiro, sua postura mostra que ele tenta se livrar das inibições e do julgamento crítico do interlocutor. Obs.: Para Freud, tal comportamento revela um sentimento de inferioridade.

4. Comentários finais

Estas posturas são tratadas no “Burlesco”, justificando os protocolos lógicos, ideológicos e comportamentais em que se baseiam os Estilos de Comportamentos Burlescos.
Os estereótipos (do brasileiro, do argentino e do peruano) são pura ficção, como se pode ver. Kkk  
Espero ter sido bastante claro na explicação do conceito de “Estereótipos” embora acredite que nem todo leitor irá rir  de um “estereótipo” que lhe grude na pele.
(j_nagado – 01.06.2012/31.01.2018)


2 comentários:

As propagandas citadas realmente são muito boas e foram bem colocadas. Apenas não vejo que o argentino da propaganda do FOX seria supostamente gay.
Quanto as posturas citadas, no conceito que tenho de cada uma elas (chiste, cômico, humor) senti dificuldade em distingui-las da forma como foi feita pelo autor do blog.
Continuarei acompanhando o blog para entender melhor os conceitos.
Abraços,
(j.nagado/06.06.2012)
Refletindo sobre o comentário do Gustavo, acho que ele tem um bocado de razão quando diz que "Apenas não vejo que o argentino da propaganda do FOX seria SUPOSTAMENTE gay".

A expressão "supostamente gay" utilizada pelo narrador, ajuizada pela filosofia criada por Thomaz Reid (1710-1796, faz apologia do senso comum ao expor a ideia particular de uma cultura específica (a do brasileiro) em relação
a (todo) argentino, o que deixaria de ser politicamente correta a piada. Entretanto, de acordo com o contexto, olhando-se para o quê é constante na pessoa, percebe-se que aquele (específico) argentino é SINTOMATICAMENTE gay.

Reid creditava ao senso comum a base de todo o pensamento filosófico. Contemporâneo e crítico do cepticista David Hume, Reid afirmava que o mundo está à nossa vista para que façamos julgamentos claros sobre aquilo que vemos, preto ou branco, certo ou errado, gay ou não.
Talvez não se deva levar essa preocupação filosófica ao plano consular e admitir politicamente que o Messi é o melhor
jogador de futebol do mundo. Isto deixaria os argentino felizes e eles esqueceriam a questão.

(Vejam até onde a preocupação com a ética pode levar um blogueiro).
(j.nagado - 06.06.2012)


Fim.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

TAN 00.11.01 “ESTEREÓTIPOS E BARTHES” - ESCLARECIMENTOS


TAN 00 11.01 – “ESTEREÓTIPOS E BARTHES” - ESCLARECIMENTOS

1. Introdução

O objetivo deste trabalho é alinhar o conteúdo das postagens feitas no blog Confrarias do Riso   em relação ao tema “Estereótipos e Barthes”, visando proporcionar o entendimento do conceito de Estereótipos, dentro da concepção do “Burlesco” e da sua Estrutura.

Em atenção a:
[Confraria do riso] Novo comentário em TAN 00 11 – “ESTEREÓTIPOS E BARTHES”.
L. Roberto de Barros Santos deixou um novo comentário sobre a sua postagem "TAN 00 11 – “ESTEREÓTIPOS E BARTHES”":

Nagado, continuo tendo grande dificuldade em entender os textos aqui publicados. Mas continuarei tentando...

L. Roberto de Barros Santos
Ter 26/12/2017, 10:21


TAN 00.11

Em TAN 00.11, postado em (12.12.2017, destacamos a crítica do amigo Neves, a respeito de textos do “Burlesco”, postados no blog Confrarias do Riso.

Faz parte de uma homenagem ao amigo Neves, iniciado em (20.12.2016), com o post:


2. Histórico

Em 2012, postei uma série de textos no blog Confrarias do Riso, dispondo sobre o tema “Estereótipos e Barthes”.

O GOOGLE registrou, como resultado de busca para ESTEREÓTIPOS E BARTHES”, o post (2.5) no blog Confrarias do Riso -licburlesco.blogspot.com/.../2.5-estereótipos – cont.de elementos do.ht...4.abr.2012– associada ao combate aos estereótipos e revela também o caráter contestador de Roland Barthes em relação à ideologia contida nos textos: “É ...


“ESTEREÓTIPOS E BARTHES”, postado a partir de (04.04.2012) expõe a essência desse tema, nos links citados abaixo:

http://licburlesco.blogspot.com/2012/04/25-estereotipos-cont-de-elementos-do.html
http://licburlesco.blogspot.com/2012/06/estereotipos-e-barthes-02-continuacao.html
http://licburlesco.blogspot.com/2012/06/estereotipos-e-barthes-03-continuacao.html
http://licburlesco.blogspot.com/2012/06/estereotipos-e-barthes-04-conclusao.html

(Conteúdo para leitura: Estereótipos, Mitos como forma de ideologia, Figuras de Expressão de Barthes, Metonímia, Estrutura do Burlesco e Função Heurística dos mitos)


  
2.1 Comentário de JC Neves

A propósito dessas postagens (“Estereótipos e Barthes”), JC Neves comentou:

“Gostaria muito de fazer um comentário consistente sobre os últimos textos que postaste sobre a teoria de Barthes, mas não me sinto capaz de fazê-lo. As definições casam com o sentimento que tenho de cada uma das doutrinas e me parecem coerentes e sensatas. Não tenho, entretanto, a profundidade de conhecimento nem para avalizá-las, nem para rechaçá-las; afinal, Barthes é Barthes, para usar o Ninismo e a Tautologia. ...” JC - 26/06/12

2.2 Comentários do Autor

Em resposta ao comentário do Neves agreguei informações esclarecendo a relação entre Estereótipos, Mitos e Ideologias.

A origem da ideia de Fundamentos Mitológicos, no Burlesco, está associada ao uso de Mitos com o objetivo de direcionar ideologicamente indivíduos de uma sociedade, alinhado com o conceito de Mitologia, desenvolvido por Roland Barthes (1915 -1980), sob os auspícios do vínculo entre o Estruturalismo (da década de 1950) e a Semiologia.

Nesta concepção, o mito foi considerado como a designação de falsas evidências de fatos que o senso comum trata como natural, mascarando realidades e neste sentido, perfeitamente histórica, caracteriza um abuso ideológico dissimulado. Barthes trata os Mitos como forma de ideologia, uma ferramenta de dominação burguesa, como vimos em – “a Ordem”, postada em ESTEREÓTIPOS E BARTHES – 03 (continuação).
Afirmações feitas nesse sentido, em (04.07.2012):


3. Estereótipos e Barthes - Informações adicionais

Em (15.06.2014), postei no blog informações adicionais ao tema, através de B&F – 006.2013.01 – “Estereótipos – Mitos e Ideologias”



Burlesco

Este B&F expõe o significado de estereótipos, sua inserção em textos do blog Confrarias do Riso e especialmente no estudo de Estilos de comportamentos Burlescos.  

O Blog Confrarias do Riso aborda os estereótipos como ferramenta ideológica segundo Roland Barthes, em sua visão sociológica, semiológica e filosófica, que estabelece a relação entre o mito (fala mítica), estereótipos e ideologia.
Ao lado dos fundamentos lógicos e comportamentais, a ideologia constitui uma das necessidades estruturais do “Burlesco”.

Barthes 

A origem de Fundamentos Mitológicos, no Burlesco, está associada ao uso de Mitos com o objetivo de direcionar ideologicamente indivíduos de uma sociedade, alinhado com o conceito de Mitologia, desenvolvido por Roland Barthes (1915 -1980), sob os auspícios do vínculo entre o Estruturalismo (da década de 1950) e a Semiologia.

“O Mito é uma Fala”, afirmado por Barthes para conceituar o mito como um modo de significação, diz respeito a uma forma onde tudo aquilo que pode ser julgado por um discurso (uma fala), pode se constituir em mito, “com seus limites históricos, condições de funcionamento e objetivos sociais”. 

Barthes usou sete figuras de expressão para esclarecer aquela afirmação (“o mito é uma fala”) em suas “Mitologias” (2003).  
Neste B&F exemplificamos algumas dessas figuras identificadas com o humor burlesco quando associados aos discursos, falas, ou até a simples bilhetes emitidos por conhecidos personagens.

No livro de Ruy Castro – O Poder de Mau humor – Companhia das Letras (1996), disfarçados no título, descobrimos exemplos de estereótipos decodificados pelas figuras de expressão usadas por Barthes: (1) A Vacina, (2) A Omissão da história, (3) A Identificação, (4) A Tautologia, (5)O Ninismo, (6) A Quantificação da Qualidade e (7) A Constatação. Apesar de antigas, as falas identificam estereótipos bastante correntes nos dias de hoje..

Figuras de expressão dos mitos, de Barthes.

1.    Vacina:  consiste em confessar o mal acidental de uma instituição de classe, para camuflar o seu mal(maior) indispensável.  
(Corrupção) - É dando que se recebe. (Roberto Cardoso Alves)

2.   A omissão da história:  Quando o Mito fala sobre um objeto, despoja-o (surrupia-o) de toda a História.
(Dívida) - Abençoados sejam os jovens, porque eles herdarão as dívidas nacionais. (Herbert Hoover)
(Tecnocratas) - Dê o Saara a um tecnocrata e, em cinco anos, o deserto estará importando areia. (Henri Jeanson)

3. A identificação: “A identificação” observa apenas a semelhança de características, como a dizer que “o outro só existe quando concorda comigo”.
(Bajulação) Não concorde comigo até eu acabar de falar, pô! (Darry F. Zanuck)

4.A tautologia:  É um processo verbal, que consiste em definir o mesmo pelo mesmo (“o teatro é o teatro”) (v. truísmo). “A tautologia” é uma redundância como ”subir para cima”, ou tratar o mesmo pelo mesmo.

5. O ninismo (nem - nem ismo):  Consiste em colocar dois contrários e equilibrar um com o outro, de modo a poder rejeitar os dois (não quero isto nem aquilo). Recusam-se igualmente termos para os quais uma escolha era difícil e foge-se do real intolerável.  

6. A quantificação da qualidade: Consiste em reduzir toda a qualidade a uma quantidade.
(Quantidade) - Certo político, falando da qualidade da sua administração referindo-se aos milhares de quilômetros de faixas exclusivas para ônibus implantadas no trânsito de São Paulo. (2013)

7. A constatação:  O Mito tende para o provérbio. A “constatação” pode ser tratada como um axioma: todos os nossos provérbios populares representam mais uma fala ativa que pouco a pouco se solidificou em uma fala reflexiva, reduzida a uma constatação, e, de algum modo, tímida, ligada o máximo possível ao empirismo.(experiência como formadora de idéias).
(1981-Mentiras) - Em nosso país (URSS), a mentira tornou-se não apenas uma categoria moral, mas um pilar do Estado. (Alexander Soljenitsin)
(Agricultura) - Se você tiver uma fazenda e, na hora da colheita, tiver que optar entre um administrador petista e uma nuvem de gafanhotos, fique com os gafanhotos. (Paulo Maluf)
...


4. Considerações finais

a.Realmente, em TAN 011 – “ESTEREÓTIPOS E BARTHES”, o entendimento do leitor ficou prejudicado sem a apresentação completa e exemplos das figuras de expressão de Barthes (Vacina, Omissão da História, etc.).

b. B&F – 006.2013.01 – Estereótipos – Mitos e Ideologias (15.06.2014)

Apresenta as figuras de expressão de Barthes e cita exemplos dentro do escopo (ideologia) retiradas do livro de Ruy Castro. Conecta a ideia de Estereótipos, Mitos e Ideologias e destaca sua importância para a Estrutura do Burlesco (Protocolo Ideológico).

c. A manifestação do amigo Transmontano (“Portugueses vencem Espanhóis em Aljubarrota!”) dias após a derrota (26.06.2012) da seleção de futebol de Portugal perante a da Espanha, pela EUROCOPA da UEFA.) (ver e-mail de  Nagado para JCN, de 03.07.2012), chama a atenção para uma figura de expressão de mito.

Explica-se: O Transmontano não iria admitir a derrota esportiva sem colocar em evidência a “fabulosa vitória de Portugal perante a Espanha em Aljubarrota – ocorrida em (1483) !!”. Uma autêntica expressão da figura do mito (omissão da história). Kkkk!


4. Vale a pena lembrar-nos  do mito do futebol, relatado em “TRIBUTO AO NEVES - 03 - BATALHA DE GALOS, postado no blog Confrarias do Riso em 2016,

Esse mito do futebol, assim como o “Mito de Aljubarrota”, constituem-se em uma verdade antropológica, uma questão de identidade nacional.para os lusitanos!


  

O Mito de Aljubarrota

A Batalha de Aljubarrota, entre Portugal (casa de Aviz) e Espanha (Casa de Castela), em 1483, terminou com uma heroica vitória dos Portugueses, apesar de estar um número de combatentes muito menor. O fato é considerado como um mito, integrado ao traço de personalidade do Português, logo ao início do século XVI (1500) das grandes descobertas marítimas portuguesas, cantada em versos por Luiz de Camões:

“Não sofre o peito forte, usado à guerra.
Não ter o inimigo já a quem faça dano,
E assi, não tendo a quem vencer na terra,
Vai cometer as ondas do oceano.”


5. Concluindo, conseguimos reafirmar o entendimento:

- do conceito de (ideologia/figuras de expressão) no Burlesco e no Blog Confrarias do Riso.

- das figuras de expressão de Barthes (ideologias), a serem introduzidas no texto do “Burlesco”.




Agradecemos a atenção e Comentários no blog Confrarias do Riso - https://licburlesco.blogspot.com  ou através de e-mail para

José Nagado j_nagado@hotmail.com   (10.01.2018)





  
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De: José Nagado <j_nagado@hotmail.com>
Para: jose neves <jcneves45@yahoo.com.br>
Terça-feira, 3 de Julho de 2012 0:45

José,

O amigo Transmontano reage: “Portugueses vencem Espanhóis em Aljubarrota!” (O Transmontano vai acabar me detestando por esta brincadeira!).
Portugal venceu em Aljubarrota e isto aconteceu faz muito tempo (1483), mas os castelhanos de hoje, lembraram do desejo de Castela anexar Portugal, principalmente meio time da seleção espanhola, que é de Barcelona, que fica, por acaso, na região de Castela. 
Voltando ao sério(!!), achei interessante postar no blog os esclarecimentos suscitados por seu e-mail e o comentário (e resposta) ao Marcus, no Face book. 


Pá, abraços! e obrigado !

José 

José, bom dia!
... a postagem é interessante, e faz jus ao foco do Blog, vá em frente!
.....E já que estou a escrever na linguagem do Transmontano,
Uma forte mãozada e bem hajas
JC - 03/07/12

 

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

TAN 00 11 – “ESTEREÓTIPOS E BARTHES”



TAN 00 11 – TRIBUTO A JC NEVES, CRÍTICO DO BLOG CONFRARIAS DO RISO

Apresentação

Crítico atento e bem humorado, JC NEVES indicou a necessidade de esclarecimentos de fragmentos e citações de textos do nosso livro “Burlesco”, expostos de forma incompleta, ou carentes de informações que necessitaríamos ter suprido no blog, onde foram apresentados.   
Postado no blog em Julho/2012, “ESTEREÓTIPOS E BARTHES” – Confrarias do Riso – Transmontano -  002.2012
apresenta o protocolo Ideológico (i), juntamente com os protocolos lógico (l) e comportamental ©, na constituição da estrutura (lic) do “Burlesco”.
Em “Estereótipos e Barthes”, registramos o fato de que filósofo-semiólogo Roland Barthes (1915-1980) formaliza, no âmbito do “Estruturalismo”, a ideia das “mitologias” que nos são transmitidas como “ideologias” pelos veículos de comunicação e frequentemente adotados como padrões pelo povo ignorante ou desavisado.  
Os esclarecimentos aqui apresentados irão subsidiar o texto do “Burlesco” em sua próxima revisão(a 11ª.)

(j.nagado – 12.12.2017)


Tue, 26 Jun 2012 14:04:27 -0700
From: jcneves45@yahoo.com.br
To: j_nagado@hotmail.com

Caro José

Gostaria muito de fazer um comentário consistente sobre os últimos textos que postaste sobre a teoria de Barthes, mas não me sinto capaz de fazê-lo. As definições casam com o sentimento que tenho de cada uma das doutrinas e me parecem coerentes e sensatas. Não tenho, entretanto, a profundidade de conhecimento nem para avalizá-las, nem para rechaçá-las; afinal, Barthes é Barthes, para usar o ninismo e a tautologia. ...
JC - 26/06/12

De: José Nagado <j_nagado@hotmail.com>
Para: jose neves <jcneves45@yahoo.com.br>
Enviadas: Sexta-feira, 29 de Junho de 2012 19:54

Caro José,

Sua apreciação é muito valiosa, pois não devem pairar dúvidas sobre os conceitos apresentados no Blog.   
Assim, vale a pena esclarecer em poucas palavras a relação entre ESTEREÓTIPOS identificados com IDEOLOGIAS nas “falas” que constituem os MITOS.
- Os estereótipos identificados nos Mitos por Roland Barthes são vistos como formas de dominação ideológica.
- O conceito crítico (de Marx) de ideologia como distorção, justifica a necessidade de combater os estereótipos presentes nas “falas”.  
- As figuras de expressão dos Mitos reconhecidas por Barthes (v. no blog) representam uma coletânea de estereótipos identificados com frequência na fala de algumas pessoas, identificando - lhes tendências para um estilo burlesco. Tome-se como exemplo a figura da “Vacina” que consiste em confessar o mal acidental de uma instituição de classe, para camuflar o seu mal indispensável, utilizada pelo senador Roberto Cardoso Alves: “É dando que se recebe”.
A origem da ideia de Fundamentos Mitológicos, no Burlesco, está associada ao uso de Mitos com o objetivo de direcionar ideologicamente indivíduos de uma sociedade, alinhado com o conceito de Mitologia, desenvolvido por Roland Barthes (1915 -1980), sob os auspícios do vínculo entre o Estruturalismo (da década de 1950) e a Semiologia.
Nesta concepção, o mito foi considerado como a designação de falsas evidências de fatos que o senso comum trata como natural, mascarando realidades e neste sentido, perfeitamente histórica, caracteriza um abuso ideológico dissimulado. Barthes trata os Mitos como forma de ideologia, uma ferramenta de dominação burguesa, como vimos em – “a Ordem”, postada em ESTEREÓTIPOS E BARTHES – 03 (continuação).
No texto do Burlesco (40 páginas) procuramos esclarecer a origem dos “fundamentos mitológicos” do burlesco a partir de uma abordagem da ciência geral dos signos e da semiose que estuda todos os fenômenos culturais como se fossem sistemas sígnicos, isto é, sistemas de significação, constituídos de dois planos complementares - a saber, a sintaxe ou a “forma” (ou "significante") e à semântica relativa ao "conteúdo" (ou "significado").  
A Semiologia é considerada mais abrangente que a linguística, esta limitada ao estudo dos signos linguísticos, ou seja, do sistema sígnico da linguagem verbal. Esta ciência (Semiologia) tem por objeto qualquer sistema sígnico – Artes visuais, Música, Fotografia, Cinema, Cinema, Culinária, Vestuário, Gestos, Religião, Ciência, Etc.
Consideramos, portanto, a inserção dos Fundamentos Ideológicos de forma generalizada dentro da estrutura do Burlesco,  partindo-se do significado de Ideologia  como (em filosofia) um conjunto articulado de ideias, valores, opiniões, crenças, etc., que expressam e reforçam as relações que conferem unidade a determinado grupo social (classe, partido político, seita religiosa, etc.) seja qual for o grau de consciência que disso tenham seus portadores, ou (em Política) como sistema de ideias dogmaticamente organizado como um instrumento de luta política, ou como um conjunto de ideias próprias de um grupo, de uma época, e que traduzem uma situação histórica. (nessa acepção: ideologia burguesa).
Portanto,
- O Burlesco generaliza e utiliza o conceito de Ideologia como protocolo dos fundamentos Mitológicos, Teológicos, Filosóficos e Morais.

Considerado textualmente por JC, as sete figuras de expressão dos mitos (Barthes) têm sua expressão no humor popular.
O ninismo (5) e a tautologia (4) representam expressões de estereótipos conhecidos ou de mentiras repetidas ao infinito, como acontece com as estórias que nos falam do Pelé. Ou da descoberta do Brasil por Cabral. Ou do Mensalão, por Lula e seus Asseclas. Existe muita coerência nisso. Ou como dizia Nelson Rodrigues: “Toda coerência é, no mínimo, suspeita”. (constatação (7))

No momento, o (mau humor do) amigo Transmontano, após a derrota (dia 26.06) da seleção de futebol de Portugal perante a da Espanha, pela EUROCOPA da UEFA, não admitirá (omissão da história-2) comentar o embate esportivo sem colocar em evidência a “fabulosa vitória de Portugal perante a Espanha em Aljubarrota – (1483) !!”.

O texto completo dos Fundamentos Ideológicos será editado no Burlesco, com o acréscimo das “expressões do mito” citadas na postagem – ESTEREÓTIPOS E BARTHES – (03)

P.S Console o amigo Transmontano pela derrota de Portugal perante a  Espanha no futebol.

Bom fim de semana! Abraços/JN


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 De: José Nagado <j_nagado@hotmail.com>
Para: jose neves <jcneves45@yahoo.com.br>
Terça-feira, 3 de Julho de 2012 0:45

José,

O amigo Transmontano reage: “Portugueses vencem Espanhóis em Aljubarrota!” (O Transmontano vai acabar me detestando por esta brincadeira!).
Portugal venceu em Aljubarrota e isto aconteceu faz muito tempo (1483), mas os castelhanos de hoje, lembraram do desejo de Castela anexar Portugal, principalmente meio time da seleção espanhola, que é de Barcelona, que fica, por acaso, na região de Castela. 
Voltando ao sério(!!), achei interessante postar no blog  os esclarecimentos suscitados por seu e-mail e o comentário (e resposta) ao Marcus, no Face book. 

Pá, abraços! e obrigado !

José 
José, bom dia!
... a postagem é interessante, e faz jus ao foco do Blog, vá em frente!
.....E já que estou a escrever na linguagem do Transmontano,
Uma forte mãozada e bem hajas
JC - 03/07/12


TAN 00 10 - "EURO-LATINO-AMERICANO"



TAN 00 10 – JC NEVES, UM ENSAISTA 


Apresentação

Prosseguimos com o nosso "Tributo a JCNeves", 

Neste ensaio, “Euro-Latino-Americano”, o europeu (Neves) observa, durante 25 anos do privilegiado posto em que trabalha, o desalento e a desesperança de  povos latino-americanos de conquistar um degrau na escalada do desenvolvimento político, social e cultural, observação que leva em conta a identidade dos seus habitantes e a sincronia com o espaço-tempo de um mundo em evolução. (j.nagado)

Caro leitor, não apresentaremos o ensaio completo, mas, com a anuência do amigo Neves, apresentaremos alguns trechos que julgamos importante para a consideração política que fizemos, em relação ao período crítico que o Brasil vive desde que passou a ser dominado por partidos e políticos interessados no poder para usufruir do patrimônio público, auxiliados por certa classe de intelectuais. (jn-12-12
(caso solicitado, encaminharei ao Neves o seu pedido do ensaio completo).


Caro Neves,

Parabéns pelo  seu brilhante ensaio sobre o desenvolvimento da identidade dos povos latino-americanos, tendo como base um balanço psicossocial e político, suscitado pela matéria publicada no caderno de Cultura do Estadão, de 11/02/07, onde “Vargas Llosa faz uma eloquente homenagem póstuma a Esteban Tollinchi, talvez um dos maiores intelectuais e escritores de Puerto Rico, nos últimos 50 anos”, ressaltando-se o fato de “que nenhum dos dois se limitou à educação formal de seus países e ambos buscaram o amplo virtuosismo – se assim se pode chamar – complementar da educação europeia”.
Um texto envolvendo diversas variáveis (históricas, econômicas, sociológicas, etc.), mesmo que simplificadamente balizadas pela influência europeizante dos cartéis contrapondo-se a aquisições americanizantes desses cinquenta anos, vistos pelo autor, exigia para sua análise, uma visada para a essencialidade final dessas variáveis.
Assim, mais que um exercício intelectual, a leitura de ensaios deste tipo nos levou a uma proposição sobre o “estado de coisas” primário, aquilo que constrói a estrutura cosmológica e constituída coletivamente, para compreender melhor a materialidade do tempo que corrói esta nossa triste américa latina.
Em 1995, embora um pouco constrangido, decidi aceitar o convite de um amigo para fazer o curso de Planejamento – Estratégico e Fundamentos Doutrinários da ESG – Escola Superior de Guerra. Desde 1958 a ESG tinha uma tradição no planejamento estratégico brasileiro e também a pretensão (pouco democrática) de atuar diretamente nas decisões da presidência da República, principalmente nos anos da ditadura militar no Brasil.
Elitista ou não, a ESG vinha ajudando o governo central a discutir e definir as questões estratégicas, o que iria induzir o país a conceber alternativas de políticas e contextos visando modernização do país, acompanhando os países ocidentais mais avançados.
Os últimos governos petistas conseguiram tirar dos trilhos a composição política e tecnológica brasileira, apoiando blocos com países com ideologias políticas ultrapassadas e tecnologias idem....
Reencontrei esse amigo após quase dois anos sem vê-lo e ontem, este ensaio -”Euro – Latino – Americano” entrou em nossa conversa pelo viés da discussão sobre o poder maniqueísta que o governo petista mantém sobre as classes pobres e minorias de todos os tipos. Nossas antigas divergências ideológicas vieram à tona, aportando agora em águas tranquilas de convergências maduras e assentadas em bases estruturadas pela experiência. (Nagado – 27.11.2012)



EURO-LATINO-AMERICANO

Se identidade é individualidade, e referência comum a muitos indivíduos,
O que fazer para preservá-la, sem ferir o indivíduo e suas diferenças?
(JCN)

 “Ambos, Llosa e Tollinchi, nasceram em lugares distintos, de uma América Latina distinta: o primeiro, sul-americano de um Peru de maioria mestiça de indígenas, negros e brancos, todos em busca de uma identidade única; o segundo, caribenho, de um Porto Rico mulato, protegido pela bandeira americana, como Estado independente, mas em permanente busca da sua verdadeira identidade política. Ainda não sabe muito bem se quer a independência como país, ou se continua aproveitando os benefícios da pujança econômica, se seguir pendurado na tutela dos Estados Unidos.
       Se não é fácil perceber uma identidade racial, mais difícil é conseguir uma unidade política, mesmo já entrados no Século XXI. Ainda predomina o ranço do caudilhismo, do populismo, do nacionalismo, e do permanente sentimento de anti-imperialismo yankee - que sempre caracterizaram a região – e que se comportam como uma espécie de fogo fátuo a realimentar, justificar, e alargar a permanência no poder, o mais possível, aos governantes de plantão. Depois da era romântica de Bolívar, Martin e Sarmiento, várias foram as tentativas de formar blocos e sub-blocos econômicos, como a ALADI, Pacto Andino, do Caribe, da América Central, o Mercosul, com todos colidindo entre si, num grande balaio de gatos, que não cobre nem protege nenhum  dos países, e ainda os faz arranhar-se mutuamente na busca de vantagens ou concessões – que todos querem receber e ninguém tem para dar -  fazendo da tentativa de integração da região um arremedo do NAFTA e da CEE.
Alguém ainda lembra que existe a OEA? Alguém sabe o ela significa? Parabéns para quem ainda lembra que é a Organização dos Estados Americanos, equivalente à ONU reduzida para toda a América. Na visão do meu amigo, o pecado maior na falta de integração da região está em copiar, mal, o Presidencialismo americano, em contraponto ao Parlamentarismo, predominante na Europa. Ele entende que o poder de um presidente americano, no que se refere aos assuntos internos do país, é inferior ao poder de qualquer outro presidente na América Latina, embora seja a pessoa mais poderosa do mundo no âmbito da política global. A sua ambição de poder não é menor que o dos seus colegas dos demais países da América, mas a função de equilíbrio de enraizadas e fortalecidas instituições – como Congresso, Justiça, e o próprio Povo – delimita, com a clareza e simplicidade de uma Constituição bicentenária, as ações próprias das suas prerrogativas. Se fugir delas, impeachment nele!
. Num regime Parlamentarista, seguramente teria caído o governo com um simples voto de desconfiança de um Parlamento cobrado por seus eleitores, e novas eleições teriam sido convocadas. No Presidencialismo, não só se perdoou o Presidente, como foi reeleito, assim como os ministros, os deputados e os senadores que haviam participado do mensalão, do mensalinho, das ambulâncias, dos vampiros, dos dossiês, dos lixos, dos bingos, dos... Mas o Brasil não é o único país em que isso aconteceu; basta olhar a história recente das duas ou três últimas eleições na Argentina, na Venezuela, no Peru, no Equador, na Nicarágua. Enfim, ao meu amigo sobrou-lhe uma certeza desconcertante: a infinita bondade política do povo latino-americano, refletida na sua infinita capacidade de perdoar, e ainda dar a outra face para o bis.
. Quanto à dificuldade de um filho de imigrante encontrar a sua real identidade nacional, também está retratada no filme argentino “Lugares Comunes”, no qual um argentino, filho de espanhóis, num processo inverso de emigração, vai viver na Espanha, formando aí uma nova família, e passa a sentir o peso da rejeição pelos espanhóis, pois não passa de um “sudaca de mierda”; e é rejeitado quando resolve voltar para a Argentina, onde o recebem como “gallego, hijo de puta”, que volta para tirar-lhes algum dos poucos empregos disponíveis.


(exim nivibus licentia, jcneves ) spero autem sic - j.nagado 12.12.2017

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

“CRÔNICAS 2001” - Intertextualidade (José Nagado)



2. “CRÔNICAS 2001” -  José Nagado


O prazer especial pela crônica literária animou-me a rabiscar e reunir vinte delas, juntando-lhes o sentido de intertextualidade que cada crônica instiga no leitor, integrando, assim, uma coletânea que pretendo editar em 2018.
Recuperadas do meu baú, “Crônicas 2001” relatam reminiscências familiares, viagens, fatos políticos, sociais e quejandos, resgatando sentimentos que procuramos transmitir aos nossos familiares, amigos, Confrades e, em particular, aos companheiros de “desassossegos literários”, que também compartilham suas crônicas.
Postadas no período de (2012 a 2017), no blog Confrarias do Riso, - (https://licburlesco.blogspot.com), estas crônicas (de 2001) relatam fatos passados que suscitam reflexões sobre situações mais recentes.

INTERTEXTUALIDADE

Este gênero literário (a crônica) instiga a intertextualidade pelas formas e conteúdos subscritos pelos autores, por vezes comungando com estes uma tímida identidade literária, outras vezes compartilhando uma realidade política, social ou cultural e até pensamentos e questões de Filosofia, Linguística, etc. Ferramenta ideal para despertar a visão própria dos leitores, a intertextualidade promove o diálogo inteligente entre o conteúdo do autor e o leitor, a despeito da ação do tempo passado e do momento histórico em que a crônica foi criada.

FICHAS CATALOGRÁFICAS   

FICHAS CATALOGRÁFICAS, painel de comunicação de “Crônicas 2001”, compartilham os “dados do nascimento” de cada Crônica, e onde procuramos inserir a participação ou envolvimento do leitor, articulado no blog Confrarias do Riso ou através de textos de nossa autoria, visando complementar expectativas contextuais dos leitores, como por exemplo:

A primeira crônica, “Meu velho dicionário” (03.01.01), postada no blog em novembro de 2012, lembrava a importância desse dicionário na vida de seis estudantes (eu e meus irmãos), durante 26 longos anos! (1952-1978). Mesmo após adquirir o Novo Aurélio (2001), mantive o velho (professor) dicionário como relíquia familiar, justa homenagem a esse “grosso e pesado” professor.

“O cronista nosso de cada dia” (19.04.01), crônica postada no blog em janeiro de 2014, faz uma homenagem aos cronistas do “Estadão” e lidos em determinada semana: Matthew Shirts, José Castelo, Mário Prata, Mauro Dias, Ignácio de Loyola Brandão, Rachel de Queiroz, João Ubaldo (Ponto de Vista) Ribeiro, Daniel (Sinopse) Piza e Veríssimo (Família Brasil).

“Haicai” (21.06.2001), revela meu interesse por esse gênero literário de origem japonesa (HAI-KAI). Essa crônica foi postada no blog em 17.02.2017, como respaldo para o lançamento do livreto - “Quadros e Haicais – Haicais na Pintura”, editado em (2014).

Caro leitor, seu texto intertextual motivado por uma das crônica, poderá ser encaminhado através de (j_nagado@hotmail.com) ou diretamente no blog Confrarias do Riso: (https://licburlesco.blogspot.com).


sábado, 26 de agosto de 2017

CRO 16 – PALAVRAS CRUZADAS (20.06.01)





CRÔNICAS 2001 – PUBLICADAS NO BLOG CONFRARIAS DO RISO

"PALAVRAS CRUZADAS”  integra a coletânea (CRÔNICAS 2001)  publicada no blog Confrarias do Riso.  A sequência cronológica das crônicas, escritas entre os meses de janeiro e agosto de 2001 não obedece a mesma sequência de suas postagens no blog. 


CRONICA 16 – PALAVRAS CRUZADAS (20.06.01) – TAM: 28 KB

https://licburlesco.blogspot.com/2017/08/cronica-16-palavras-cruzadas-200601.html

Saí cedo no sábado e voltei para casa às duas horas da madrugada de domingo. O “Estadão” do sábado ainda estava intato (variante de intacto, conforme o “Aurélio”, que o nefando corretor ortográfico do computador que utilizo para escrever esta crônica insiste em sublinhar), no aparador próximo a porta da entrada.
Peguei o jornal para ler, mas desisti, concluindo que, apagado de sono como estava, não valeria a pena ver o que o jornal estaria acrescentando sobre o “Apagão, As crônicas da veneranda Rachel de Queiroz ou do histriônico Veríssimo poderiam ser lidas no dia seguinte.  Além disso, novos detalhes sobre as peripécias do nosso atual presidente do Senado, o Barbalho, nas antigas maracutaias da extinta Sudam, não acrescentariam nada à péssima imagem que tenho desse político. Se o jornal estivesse publicando o dossiê do ex-senador ACM sobre o Jader Barbalho, com certeza não deixaria de ler.
O volumoso jornal de domingo preencheria minha curiosidade sobre todos os assuntos  da semana. O melhor que faria seria dormir, e acordar cedo para ir ver o concerto da Orquestra Filarmônica de Nova York, anunciado para aquela manhã de domingo, no parque do Ibirapuera. 

Resolvi ler sobre essa apresentação no Caderno de Cultura do jornal. Coisa rápida, como o horário, o maestro, as peças que seriam apresentadas e qualquer outro aspecto que pudesse ser interessante numa orquestra Filarmônica. Folheando esse caderno, ao passar pela página que contém as tiras dos Quadrinhos e as Palavras Cruzadas (Cruzadas Diretas), não resisti. Li os Quadrinhos e em seguida, passei a executar as Cruzadas. Isso mesmo. Executo todas. Diariamente. Quando não consigo resolver uma Cruzada, coisa rara, guardo o jornal para ver o resultado no dia seguinte. E completar a Cruzada com um certo sentimento de derrota. Uma, duas ou três palavras, no máximo, que faltem para completar uma cruzada, me deixam assim.

Após dez minutos, ficaram faltando três palavras que se cruzavam, de forma desafiadora para a minha sonolenta cabeça:

-          Que fornece esperança (horizontal, feminino)
-          De um horror grandioso (vertical, feminino).
-          Lastimável (horizontal)

Raramente deixo de resolver uma Cruzada do “Estadão”. Algumas vezes parece difícil no início, mas após dez a quinze minutos de trabalho, eis que a Cruzada está morta. Quando comecei a tomar o gosto em matar as Cruzadas do jornal, levava até trinta minutos esquentando a cabeça nisso, e quando terminava, sentia o prazer do desafio vencido, relendo as palavras que me tomaram mais tempo. Hoje, ao concluir a Cruzada, passo imediatamente a ler a crônica do dia, no topo da página, menos no domingo, quando vou para a página do Veríssimo (“Família Brasil”) e do João Ubaldo Ribeiro (“Ponto de Vista”).

Os quadradinhos vazios, continuavam lá, desafiando minha burrice, às duas e quinze. Bateu a fome. Fui pegar uma pera na geladeira e voltei ao jornal. Comi a pera toda, enganei a fome e fiquei mais esperto. Dei uma olhadinha (só uma olhadinha) no banco de palavras escritas de cabeça para baixo no pé da Cruzada. Não ajudou em nada, e me deixou ainda com a impressão de ter tentado colar na prova, de um cara mais burro que eu. Os vazios continuavam nos quadradinhos e na minha cabeça.

Duas e vinte e cinco. Levantei-me da cadeira novamente e fui até o fundo da casa, respirar um pouco do ar da madrugada. Senti o ar fresco nos pulmões. A brisa gelada na cabeça trouxe junto a palavra “alvissareira” (de “alvíssaras meu capitão”, palavras que teriam sido ditas pelo grumete da nau de Cabral) que poderia servir para “Que fornece esperanças” dos quadrinhos vazios.

Voltei logo ao jornal. Não servia, mas essa palavra irrigou meu cérebro e logo veio a palavra certa, Prometedora, com as letras para completar aqueles vazios. 
A letra “d” de Prometedora, ajudou-me a resgatar a palavra “Dantesca” para o significado de “terror grandioso” (lembrando do “Inferno de Dante”). O “s” de “Dantesco” completou a terminação “s e r o”, que logo sugeriu para mim a palavra “Mísero”, para o significado de “Lastimável”.

Duas e meia. Meia hora para executar uma Cruzada e a satisfação de não ter que ver o resultado no jornal do dia seguinte.

Fazia tempo que não relia as palavras da Cruzada executada que havia tomado mais tempo para serem encontradas. Reli. Fazia tempo que não deixava de ler a crônica da Rachel de Queiroz. Não li.

Lastimável.


JOSÉ NAGADO – 20/06/01