quinta-feira, 16 de março de 2017

POST 07.2013 – OS PRÉ SOCRÁTICOS - TERTULIA (Parte 3)


POST 07.2013  – OS PRÉ SOCRÁTICOS - TERTÚLIA (Parte 3) 

(Tertúlia domingueira)


O Neves apresenta suas armas para o embate, digo , tertúlia entre amigos ,  celebrando   intelectos cuja voz ecoa de forma diferente, talvez inusitada, no cérebro desvirtuado deste “sócio do Berg”.

 

·         Re: B&F – 004.2013 – OS PRÉ-SOCRÁTICOS‏

10/03/2013
Para José Nagado, jaymerosa, nicanordefreitas, IDIR Martin, Breno Vianna, Maria Lucia Y. Hoki

Nagado

Diante dos comentários que me enviaste no arquivo, eu gostaria de ter a concisão, pragmatismo e  sabedoria do nosso Jayme para responder simplesmente: Ah, bom!
Mas, como sabes, como passo por um momento de muita correria, não tenho tempo, nem a tua paciência oriental para pesquisar em livros ou no Google para pesquisar e achar argumentos suficientes para  uma nova réplica. Então, valho-me apenas do que aprendi há muitos anos atrás, e do pouco que me sobrou na memória para comentar que:
1 - Que nenhum de nós dois está obrigado a concordar com o outro, mas que ambos temos o dever de respeitar a opinião de cada qual;
2 - Entendi melhor o que queres dizer com a "profundidade histriônica", mas sigo não concordando com o carimbo de velhacos, farsantes, palhaços, imbecis, charlatães e embusteiros - como se fossem simples gurus e videntes - com que a "histrionia" classificaria os pré-socráticos. Aliás, este foi o motivo deflagrador da nossa tertúlia a respeito do tema;
3 - Não vejo oxImoro nos seus pensamentos filosóficos, mas vejo uma esforçada tentativa de classificá-los assim. Alguns podem ser pueris e superficiais, mas são originais, e deles se serviram os grandes filósofos posteriores para sedimentarem suas doutrinas, ainda que elas fossem o contraditório e a simples negação desses pensadores originais.
4 - A cosmologia foi, sem dúvida,  a que mereceu mais contemplação e atenção dos pré- socráticos. Heráclito enunciou que "não se pode entrar duas vezes no mesmo rio", e reagiste com um"Gostaria que alguém me explicasse tanta profundidade". É, isso talvez hoje possa soar como um pensamento "raso", mas eu não vejo Heráclito referir-se ao rio como todo, mas sim que a mesma água não passa duas vezes no mesmo lugar, pois está em permanente renovação, e por isso não entrarás uma segunda vez na água que já passou. Ainda sobre Heráclito, como tu mesmo mencionaste, Marx e Darwin foram profundos seguidores de seu pensamento como todo; e olha que os dois já são bem moderninhos: 


5 - Aristóteles que, na minha modesta opinião, foi o pensador mais brilhante da humanidade, fala, como dizes, com certa ironia sobre o princípio da água e da existência da alma, atribuídos aos pré-socráticos. Hoje sabemos que todos nós, seres vivos, humanos, ou "desumanos" somos compostos  por mais de 70% de água; e, quanto à existência da alma, é ainda uma discussão que segue cada dia mais viva; 
6 - Seria cansativo seguir dissertando sobre a contribuição de cada um dos pré-socráticos; por certo que alguns tiveram muito maior transcendência que outros para o pensamento moderno, e muitos cairam num verdadeiro ostracismo, mas daí a classificá-los como pensadores de "profundidade histriônica" é algo que, definitivamente, não lhes dá a merecida justiça, embora respeite a opinião de quem julgue o contrário.



Como hoje também é domingo, chega de filosofar. Mas eu acho estimulante este esgrimir de idéias, embora eu me reconheça mais intempestivo que pensativo.
Abraços, e bom saldo de domingo a todos.



Neves(10/03/13)


POST – 007.2013 – OS PRÉ-SOCRÁTICOS - TERTÚLIA (Parte 1)


POST – 007.2013 – OS PRÉ-SOCRÁTICOS – TERTÚLIA (Parte 1)
(tertúlia domingueira)

O amigo  José Neves abre esta "tertúlia domingueira" questionando com muito prazer intelectual nossas discordâncias sobre os Pré-Socráticos. 



03/03/2013
Para José Nagado, Jayme, Nicanor de Freitas Filho, IDIR Martin, brevianna@gmail.com

Nagado
Muito bom o texto com o título de "Os Filósofos e Eu", muito mais compreensível - talvez porque eu já tenha estado mais próximo do tema - que o B&F com o nexo Berg-Nagado. Acho que o teu sócio Berg atrapalha a minha total compreensão das teorias expostas.
Concordo plenamente em que os filósofos mais importantes e centrais - eu diria, da humanidade - estão na trindade grega Sócrates-Platão-Aristóteles, pois foi através, e a partir, deles que o pensamento, e o conjunto de conhecimentos humanos começou a sedimentar-se e a trasformar-se em filosofia, até à epistemologia sistematizada  como nos chega hoje. Não importa quão dispersas e em quantas ciências se tenham transformado suas ideias, na verdade há bem poucas que não sejam um eco, ainda que distante, - e quase inidentificável pelo senso comum - desses cérebros privilegiados. 
Mas, Nagado, - e há sempre um "mas" - não concordo com a tua assertiva de que "aqueles que um dia tiveram aulas de filosofia, se divertiram muito com a profundidade histriônica dos antigos filósofos gregos, os pré-socráticos". Realmente não entendi a pejorativa adjetivação"histriônica" aplicada aos pré-socráticos. Porquê histriônicos? Estarei eu equivocado quanto ao significado variante do histrionismo?
Eu sou daqueles que um dia tiveram aula de filosofia, mas não me lembro de me haver divertido porque eram histriônicos. Mas me lembro muito bem do quanto eu aprendi, e do intenso prazer que eu senti ao conhecer o pensamento desses pré-socráticos. Eu nunca percebi charlatanismo, burla, ironia ou graça em Thales de Mileto, Anaxágoras, Heráclito, Pitágoras, Zenão de Eléia ou Demócrito -  e outros que não me ocorrem no momento - mas sim uma brilhante capacidade contemplativa e reflexiva sobre o Homem e o Universo. Lembro também que foi das diferentes teorias de cada um deles que o trio central recolheu as melhores sínteses para definirem seus postulados.Talvez esteja gastando demasiadas palavras por causa de um adjetivo, mas, deixá-lo passar, seria como depreciar o alto valor da contribuição ao conhecimento humano de  uma boa fileira de pré-socráticos.
Bem, acho que para um domingo já é suficiente. Afinal, os cérebros enfraquecidos também necessitam descanso no sétimo dia.
Com o prazer de sempre, ao trocar opiniões e letras, um abraço e bom domingo.
Neves - 03/03/13

Abraço a todos os Confrades
José Nagado (08.03.2013)

B&F – 004.2013 – OS PRÉ-SOCRÁTICOS E O BURLESCO


 B&F – 004.2013 – OS PRÉ-SOCRÁTICOS E O BURLESCO

Neves
Seu e-mail obrigou-me a reler tudo que havia lido sobre os Pré-Socráticos, para recuperar o motivo de ter-me referido a eles com o adjetivo "Histriônico", na verdade, "Profundidade Histriônica". 
Seriamente falando, os pensamentos dos Pré-Socráticos produzem uma  sensação leve e superficial de pensamentos tornados obsoletos pelo aprofundamento invasivo de filósofos pósteros. Em sua defesa, considero que os Pré-Socráticos foram autênticos em seus pensamentos, retratos temporais da imagem cosmológica daqueles pensadores. 
"Profundidade histriônica" nos lembra o oxímoro então criado naturalmente, com a "profundidade" de uma razão atemporal e uma aparência "histriônica" superficial, craveira atribuída aos Pré-Socráticos, por aqueles que se julgaram aptos a avaliar aqueles pensamentos. Esta foi a minha justificativa para "Profundidade histriônica", que se transformou num texto escrito em (2011) levemente modificado agora, para responder ao caríssimo Neves.

Profundidade histórica
A pesquisa epistemológica sobre o “Burlesco” envolveu-nos com a (ir)responsabilidade de adquirirmos um conhecimento (burlescamente)prático em relação à filosofia ocidental, obrigando-nos a adotar alguns critérios para joeirar textos e filósofos de acordo com os  objetivos da pesquisa.
Para isto, reconhecemos desde o início, a necessária distinção entre o mítico, ou mito-poético, e o conhecimento racional, desfazendo-nos  de  qualquer tentativa sensacionalista (farsa) de associar os primeiros pré-socráticos, desde Tales, da proximidade intelectual com o cientista moderno, e o afastamento das idéias de profetas e videntes de tradições gregas mais antigas.

Critérios (burlescabilidade, rsrsrs)

a)Em primeiro lugar, tivemos que nos precaver contra o filosofismo excessivo, refutando   idéias por vezes interessantes (para não dizer engraçadas)  mas não alinhadas com um “devir” evolutivo do (pensamento) burlesco (por causa deste critério, mais cacetadas estão “porvir”).

b)Em segundo lugar, tivemos que refutar tanto evoluções (positivas ou negativas)  como também deturpações,  de  doutrinas ou proposições filosóficas (e científicas) significativas para a história da filosofia   (e das ciências), mas insignificantes para o (pensamento) burlesco.

Proposições de alguns Pré-Socráticos

 1.Thales de Mileto (625-558 a.C) - “a água é a origem de todas as coisas”- “Os ímanes têm alma, porque consegue mover o ferro”.

2. Pitágoras, (580 – 497 a.C) – acreditava que  arbustos, feijões têm alma.
         
3. Heráclito, (540 – 490 a.C) – “tudo era feito de fogo”; a “metafísica de Heráclito”, para falar da sua doutrina do estado do fluxo.

4. Anaxágoras ( 500 – 432 a.C) - várias substâncias diferentes compunham a totalidade do espaço existente. Cada elemento constituinte seria, portanto, fundamental em si mesmo e a matéria constituída pela combinação desses elementos era infinitamente indivisível.

5. Zenão de Eléia  (490 – 430 a.C)- Apresentou um conjunto de paradoxos para mostrar que nada pode mover-se.
6.Demócrito (460 – 370 a.C)- indivisibilidade dos átomos

(Sócrates viveu entre (469-399 a.C); portanto , alguns  Pré-Socráticos foram seus contemporâneos).

Critérios adotados - Exemplos

Critério (a)
As idéias filosóficas dos Pré-Sócráticos foram apreciadas  em épocas posteriores por outros filósofos como Aristóteles, por exemplo, que comentou com certa benevolência irônica o “princípio da água” e a “existência da alma”, segundo Tales de Mileto. (ver nota 1)
Nota 1.
Ao não se conformarem com as explicações tradicionais dos mitos gregos, cuja ordem do mundo dependia da vontade dos deuses, demonstram sua confiança na capacidade da razão humana e se dedicavam a explicar a realidade material da natureza. Como compartilhavam de uma mesma preocupação, esses primeiros pensadores  são chamados também de “físicos”. (derivado de physis, que em grego, significa “natureza”). Para eles tudo que existia derivava de um elemento físico primordial. 

Embora não existam fragmentos da obra de Tales, seu pensamento pode ser conhecido a partir da "Metafísica", obra do também filósofo grego Aristóteles.

Segundo historiadores,
Diógenes Laércio, Simplício e principalmente Aristóteles (Metafísica), Tales foi comerciante e conquistou recursos suficientes para dedicar-se a suas pesquisas no Egito e Babilônia, onde,  em contato com astrônomos e matemáticos deve ter recolhido informações para seus teoremas   da matemática, e fundamentos de geometria e astronomia.

Critério (b)
Foram refutados enunciados ou proposições filosóficas dos Pré-Socráticos, como por exemplo  sobre a “indivisibilidade dos átomos” (Demócrito),   que acabou por ficar como um legado para a posteridade, exatamente pela idéia da “não indivisibilidade do átomo”, comprovada nos tempos modernos. Dizer-se que Demócrito teria antecipado a teoria atômica moderna é um momento histriônico na Filosofia dos Pré-Socráticos. (ver nota 2 – Profundidade histriônica)
Nota 2 - Profundidade histriônica
Os enunciados pré-socráticos de forma geral atenderam ao critério (a) ou (b) ou ambas, e, quando tratados por outros filósofos  o foram para defender suas próprias idéias filosóficas.
Tales(625-558 a.C)
Assim pretenderam, por exemplo:

Hegel (1770-1831): “A grande crítica hegeliana ao pensamento de Tales está em afirmar a água, que é algo singular, como um universal. Hegel busca a unidade, mas segundo este isso se dá no fenômeno da consciência”.
Nietszche (1844-1900) – crítica ao pensamento filosófico, atrelado aos grandes enganos da civilização ocidental:  religião e a ciência.

Heráclito (540 – 490 a.C)
Hegel, influenciado pelo pensamento de Heráclito afirmou: “Não existe frase de Heráclito que eu não tenha usado em minha Lógica.” Marx (1818-1883) e Darwin(1809-1882) eram seguidores de Heráclito. Marx, admirador de Darwin, foi hegeliano na juventude. Essa relação se torna ainda mais intrincada com a afirmativa surrealista de um pretenso (e pro fundo) cientista político: A noção de Darwin relativa a sobrevivência do mais adaptável foi elemento chave tanto para o conceito marxista da luta de classes quanto para as filosofias raciais que deram forma ao hitlerismo”.(!!)
Heráclito interpretou a realidade tendo como princípio o devir - “ Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio”.
Gostaria que alguém explicasse tanta profundidade.

Conclusão 

Os Pré-Socráticos, cosmologicamente  afinados com o momento histórico, ganharam certa “Profundidade histriônica” ,  quando cérebros ineptos procuraram se apropriar de suas  idéias originais,  agregando-lhes interpretações próprias.

José Nagado (08.03.2013)

sexta-feira, 3 de março de 2017

Tributo ao Neves -TAN 05.03 - Trav. do Tempo” (J.C. Neves) com Haicais Burlescos




TAN 05.03 – “Travessia do Tempo” (J.C. Neves) com Haicais Burlescos

Introdução

Princípio de Identidade
“Travessia do Tempo” nos levou ao Poema de Parmênides de Eleia (530 a.C-460ª.C) onde os versos de “Travessia da Existência” discutem o “ser” (ou “não ser”) do homem, inaugurando o Princípio de Identidade, na história da Filosofia.
Segundo este princípio, em seus estudos sobre a lógica, o filósofo Pré-Socrático Parmênides (*) afirma:
“todo objeto é idêntico a si mesmo”.
Em outros termos, explicando essa questão de Identidade, o Filósofo Neves diria: 
"É o conjunto de caracteres próprios e exclusivos com os quais se podem diferenciar pessoas, animais, plantas e objetos inanimados uns dos outros, quer diante do conjunto das diversidades, quer ante seus semelhantes".
Nestes termos, consideramos que o texto “Travessia do Tempo”, ilumina a jornada filosófica do (Neves) Transmontano, em busca da Identidade do amigo (Transmontano) Neves.    

Falando em Identidade, é preciso não esquecer do lusitanismo do amigo Neves (veja a “Batalha de Galos”), eis que no texto atual, ele omite intencionalmente (ou não), qualquer referência ao lusitano viver.  

É preciso também lembrar que o Transmontano já foi alvo de dúvidas em relação à sua origem (Espanhola?), carecendo de convicção, portanto, qualquer crença na identidade especular do Neves e do Transmontano, conforme aduzimos em: “Entendeu?”, no link: http://licburlesco.blogspot.com/2016/12/tributo-ao-neves-02-entendeu.html )

Em todo caso, confira a identidade especular de dois seres semelhantes (Neves e Transmontano), após 60 anos de convívio, ao que parece, inevitável.

Notas:

A linguagem dos haicais burlescos utilizada na “Travessia do Tempo”, é resumida em seus termos mais simples nos textos:





(*) Parmênides -

O Prêmio Parmênides, concedido pelo Blog Confrarias do Riso ao amigo Neves em 2013, será o próximo tema deste Tributo neste blog.


Um tributo especial

O Neves revela grande senso de humor, além de mostrar desapego a seu próprio texto, aprovando a inserção de haicais alheios em “situações literárias” de sua lavra. Ele inferiu, usando seu elevado senso de humor e muita sabedoria lógica, que os “haicais burlescos” ministrados gota a gota no texto, funcionaram como remédios oportunos transferidos ao combalido personagem (“cotista social”), o amigo Transmontano, proporcionando-lhe uma “mais suave” “Travessia do Tempo”.
                    
Sob este contexto, o nosso homenageado ressalta a importância de um olhar diferenciado para os textos que lemos.ou que produzimos.  O Princípio de Identidade, tema que pensamos explorar no início da avaliação deste tributo ao Neves, sofreu uma virada do viés temático (filosofia) para o objeto (personagem), que realmente interessava ao autor.

Aproveitando o espaço criado pelo nosso comentário, fazemos uma homenagem ao nosso guru (em relação ao Burlesco), Georg Christoph Lichtenberg, sábio alemão da Universidade de Göttingen, que disse, certa vez:

“Texto é espelho. Macaco, quando olha no espelho, não vê apóstolo, só vê macaco”.

Neves, mais uma vez, obrigado!





A seguir:
- o e-mail do Neves
- texto (parcial) de “Travessia do Tempo” com a inserção dos haicais burlescos.


Para José Nagado, nicanordefreitas@gmail.com, jaymerosa@terra.com.br, IDIR Martin

Amigos

Depois de alguns exames, e já liberado da Banca examinadora - se não com notas elevadas, suficientes para passar raspando - aqui estou de volta para "sargentear".

Além de sábio, o Nagado é previdente. Ele sempre tem um elevado e variado estoque de remédios (Haicais) que servem para todos os males (situações literárias), e quase sempre aplica a "doseometria" (termo jurídico da moda no laboratório do STF) na medida certa. Quando eu crescer - afinal, o futuro pode não ter acabado ainda - quero ser um Douto alquimista de haicais como ele. E nem se importou com o ter de "atravessar" a madrugada para pinçar e aplicar os remédios mais eficazes para uma mais suave "Travessia do Tempo". Domo arigatoo gozaimasu, nee!

Sobre os demais temas, responderei nos e-mails referentes a cada um deles.

Abraços

Neves - 10/12 




TRAVESSIA DO TEMPO   j.c. neves – out.2012

                       Nascemos e crescemos em busca do futuro; é a nossa esperança.
                      Amadurecemos, socializamos, multiplicamos; é a nossa realização.
                       Envelhecemos, estorvamos, nos isolamos; é o nosso crepúsculo. (JCN)


“Aleluia! Esfuziante, o Transmontano só não pulou de alegria porque seu corpo, um pouco acima do peso e cansado, não logrou levantar os pés grudados ao chão, como imantados”.

56) (Velhice)

TEMPO DA VELHICE.
AQUELA SERENIDADE
PLENA DE MEIGUICE.

     “Intrigante! Era a primeira vez que alguém se referia explicitamente ao meu amigo como idoso. Essa palavra sempre lhe havia parecido tão atemporal para si que demorou a dar-se conta de que a observação do manobrista era com ele mesmo. Na verdade, ele nunca havia tido percepção da sua idade real”.

55) (Passado)

VOLTO AO PASSADO.
UM ROMANCE ESQUECIDO...
RETRATO RASGADO.

“Não se lembrava de que houvesse passado por uma idade infantil, sentindo a infância como tal, ainda que tivesse algumas lembranças fatuais do período. O mesmo com a adolescência; com o jovem adulto; com a meia idade; e mesmo com a idade madura, diga-se até aos 60 anos”

341 (amor temporão)

AMOR TEMPORÃO,
ESPERADO, MADURO,
COM MUITA TESÃO.

“Talvez o fato de haver tido uma infância e adolescência – ou a ausência delas – quase nulas, i.e., por raramente desfrutar da leveza e do direito de vivê-las no que elas têm de prazeroso e inocente, mas vivê-las intensamente com o peso da responsabilidade e dever de um adulto”

                          193 (OUTONO)                                   

TER SONHOS AGORA,
OUTONO QUE PREPARA,
NÃO ME APAVORA.

Ele se lembra de alguns atos do quase bebê;

241 (O ESPERMATOZOIDE)

QUASE NÃO SENTI.
DORMI COM PAPAI,
COM MAMÃE SAI.


        “Até aos 60 anos, o meu amigo sempre teve a sensação de que o seu futuro ainda estava por chegar. Embora considerasse os sexagenários já entrados na terceira idade, isso acontecia só com eles. Ele seguia buscando seu futuro, até que este viesse buscá-lo. Ao completar 60 anos, a Eiko e o Cláudio decidiram fazer-lhe uma festa-surpresa. E, pela primeira vez, deparou-se com seu futuro.”

54) (Futuro)

SEMPRE ME ESQUEÇO
QUE O FUTURO CHEGOU-
É SÓ O COMEÇO.

“Talvez ainda não tivesse tocado nessa realidade mais cedo – que começa em torno aos 45 – porque passou mais de 30 anos na mesma empresa.  Sobram-lhe experiência profissional e intelectual, acima da média. Mas o paradoxo é que também lhe falta/sobra empregabilidade. Agora, quase no extremo crepuscular da ponte que liga as margens etárias, está bem próximo de completar a travessia do seu tempo.”

359

A ETERNIDADE
É CAMINHO SEM VOLTA,
COMO A IDADE.

                          (José nagado – 23.10.2012)
(Para qualquer reclamação de invasão de propriedade intelectual ao Procon, do autor ou de leitores de “Travessia de seu tempo”, sugiro acessar o meu Perfil.)


                           (Tributo ao Neves continua, após o Carnaval) – (jn 03.03.2017)


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

CRONICA – Haicais (JOSE NAGADO – 21/06/01)


CRÔNICA – Haicais (jn 21.06.2001)

“Haicais e o Burlesco” (link:  http://licburlesco.blogspot.com/2012/07/haicais-e-o-burlesco-introducao.html), postado no blog Confrarias do Riso, em 19.07.2012, evidenciou um público interessado no haicai e um estímulo para publicarmos a coletânea “Quadros & Haicais".

Esta crônica, "Haicais", inédita (retardatária) no blog Confrarias do Riso, revela a aproximação entre os meus quadros pintados no início dos anos 2000 e o haicai que conheci nos trabalhos do Millôr Fernandes, na revista O Cruzeiro, na década de 1950.

CRÔNICA - HAICAIS
http://licburlesco.blogspot.com/2017/02/cronica-haicais-jose-nagado-210601.html
Gostava muito dos Hai-Kais que o Millor Fernandes publicava na extinta revista semanal “O CRUZEIRO”, nos idos de 1957.  De estrutura simples e curta, seus temas eram um registro imagístico de cenas ou coisas (palavras, idéias, objetos vivos e inanimados, enfim qualquer coisa) explorados sempre de forma criativa, acompanhados de ilustrações ligeiras associadas diretamente ao tema.

No início do ano passado (2000) tomei algumas fotos e quadros produzidos por mim, para servirem de temas para os meus primeiros exercícios de composição de Haicais. Queria aprender a fazer Haicais. Sem métrica ou rima, essas composições tinham apenas os três versos dos Haicais que acostumara a ver naquela revista.

A igreja de uma pequena cidade do interior foi o tema de um desses primeiros Haicais:

A IGREJA DOS HOMENS
APONTA PARA O CÉU
A CRUZ DA SUA FÉ.

No segundo semestre do ano passado (2000), numa dessas modernas lojas de Conveniência agregadas a postos de gasolina, encontrei um livro de bolso, cujo título logo me chamou a atenção. Adivinhou: HAI-KAIS. O autor? O próprio. Millôr Fernandes. (Coleção L&PM Pocket volume 27 – 1999). Foi nesse livro de bolso que vi, pela primeira vez, informações e prescrições básicas do Haicai, que achei interessante inserir nesta crônica.

Na “pequena introdução para os não iniciados” em Hai-Kus ou Hokkus, para os japoneses ou Hai-Kai, escrito com K, grafia preferida e utilizada por Millor, rapidamente ficamos conhecendo as principais características dessa forma de poesia simbolista originária no Japão, da época da sua popularização (século XVII), seus temas e composição. “O Hai-Kai é um pequeno poema japonês composto de três versos, dois de cinco e um – o segundo – de sete. No original não tem rima, que geralmente lhe é acrescentada nas traduções ocidentais”. (sic)

Nessa introdução, Millôr apresenta, como exemplo, a tradução de um Haicai do século XVII (possivelmente):

EM CIMA DA NEVE
O CORVO ESTA MANHÃ
POUSOU BEM DE LEVE.

Pesquisando no “Aurélio” encontrei as grafias “haicai” e “haicu” e as correspondentes grafias com K., não registrando “hokku”. Curiosidade apenas. “É o haicai japonês, pequeno poema de três versos, de cinco, sete e cinco pés métricos, respectivamente, que resumem uma impressão, um conceito, um drama, um poema, às vezes deliciosamente, não raro profundamente”. (sic)

Millôr diz, ainda, que o seu interesse pelo Kai-Kai, “como forma de expressão direta e econômica” começou em 1957 quando escrevia uma seção de humor (Pif-Paf) na revista O Cruzeiro. Seus Hai-Kais conservam os três versos da forma original, não havendo a preocupação com o número de sílabas.

Um Haicai (acho que vi também na extinta revista “O CRUZEIRO”) mostra essa forma nas composições do Millôr em seu livro:

DIZ PENSAR LIVRE PENSAR.
LIVRE PENSAR
É SÓ PENSAR.

Após conhecer a forma dos Hai-Kais do Millôr resolvi pesquisar uma forma definida para os meus versos.    Nessa pesquisa, descobri que o Haicai pode ser definido como um terceto de uma estrofe heterométrica com versos de cinco, sete e cinco pés métricos (sílabas). Quanto à rima, parece ser mais agradável a rima cruzada (no caso, entre o primeiro e o terceiro verso), também observada nos Hai-Kais do Millôr e nas traduções de Haicais de origem japonesa. A questão do ritmo é muito complicada, parecendo que a liberdade de um ritmo variável é a melhor escolha. Em alguns Haicais o ritmo lógico (definido pela pontuação) é a melhor solução. Em outros, o ritmo melódico (determinado pelas pausas ocorridas após as sílabas tônicas) torna um Haicai mais agradável aos ouvidos.

Quando comecei a escrever meus Haicais e a divulgá-los entre amigos e parentes, descobri que as pessoas necessitavam de uma aproximação maior ao tema apresentado por um determinado Haicai. Parece que ilustrar o Haicai como faz o Millôr, é a forma ideal de fazer a aproximação necessária do leitor ao tema, já que não poderemos estar junto ao leitor para fazê-lo pessoalmente.

Um Haicai de minha autoria, sugere essa aproximação através de uma lápide no cemitério, com a gravação de um ponto (ponto final) dentro de um círculo. O Haicai:

EXISTENCIAL,
PURA FRASE LAPIDAR:
UM PONTO FINAL.                                    .

Até recentemente, achava que eu (e o Millôr) era a única pessoa a se interessar por Haicais. Não conhecia nenhum apreciador desse tipo de poesia. Após algum tempo, descobri amigos que gostaram dos meus Haicais e pessoas que conhecem grupos de criadores de Haicais, principalmente gente mais velha da colônia japonesa.

Encerrando esta crônica, que mais parece uma introdução conceitual ao Haicai (que assim seja, então), deixo registrado a seguir, mais um dos meus primeiros cento e cinqüenta Haicais, sintetizando sua forma.

(Haicai)

POEMETO LEVE,
MERGULHA FUNDO NO TEMA,
E RETORNA BREVE.

JOSE NAGADO – 21/06/01


sábado, 11 de fevereiro de 2017

TRIBUTO AO NEVES 05.07 - Crônicas de José Nagado (2)



TAN 05 – NEVES E O BLOG CONFRARIAS DO RISO

TAN 05.07 - Crônicas de José Nagado (2)


Em “O Cronista nosso de cada dia”, postada no blog em 2014, (http://licburlesco.blogspot.com/2014/01/cronica-o-cronista-nosso-de-cada-dia.html), revelo meu gosto    pela Crônica e minha admiração pelos cronistas do jornal O Estado de São Paulo, como o Daniel Pizza e muitos outros.

Postei quinze crônicas de minha autoria no Blog Confrarias do Riso. Em relação às crônicas “Mr. Street” e “Defenestrados”, citadas neste Tributo, o Neves compartilha uma amigável “recomendação do texto” com uma sutil indicação do conteúdo.


  

Crônica: MR. STREET (no blog em 14.05.2014)

http://licburlesco.blogspot.com/2014/05/cronica-anacronica-mr-street-24012001.html

Date: Sun, 25 May 2014 06:28:17 -0700
From: jcneves45@yahoo.com.br
Subject: Mr. Street
To: j_nagado@hotmail.com; jaymerosa@terra.com.br; nicanor@freitasnet.com
Nagado

Ausente há umas semanas das visitas a seu blog, hoje finalmente achei um tempo para passar por lá.
E não é que me esperava uma deliciosa crônica com sotaque britânico!? E você demorou 13 anos para divulgá-la? É o tipo de reminiscência que eu gostaria de também escrever - e eu teria muitas do tipo - mas a memória já não me ajuda a escrevê-las com a fidelidade e realismo dos fatos. Então, vou deixando...

Abraço

Neves - 25/05/14



Crônicas de José Nagado (2)

DEFENESTRADOS (no blog em 25.02.2015)

A expectativa do Impeachment da Presidente Dilma (2016) motivou a postagem desta crônica que relembra o impeachment do Presidente Collor (1992) e a posse do vice-presidente José Sarney.

De: José Nagado <j_nagado@hotmail.com>
Para:
Enviadas: Domingo, 1 de Março de 2015 0:09
Assunto: FW: IMPEACHMENT!
O brasileiro é um povo com os pés no chão. E as mãos também.  (Ivan Lessa)
Caros amigos, vejam a crônica que escrevi em março de 2001.

DEFENESTRADOS

abr./ josé nagado

Re: IMPEACHMENT!
jose neves
Para: José Nagado

Nagado

A sua "Defenestrados" não é uma crônica, e sim um ensaio da História recente. Hoje já sabemos que os acontecimentos não tiveram um final tão feliz, quanto era o seu e o nosso desejo daquela época. Infelizmente, as Fenixes políticas continuam renascendo por todos os cantos, a mostrar um poder de sobrevida que escapa ao bom senso de uma nação. Eu tenho consciência de que algo precisa ser feito, mas não sei se o Impeachment será o caminho certo. Afinal, tirado o PT, fica o PMDB, sócio maior no fisiologismo do atual governo. Sai a abelha rainha, mas seguem os zangões. Por outro lado, para quaisquer alternativas que não as democráticas, sinto urticária só em pensar nelas. Não estou no muro; estou num poço de desencanto.

Abraços

Neves - 01/03/15



(Tributo ao Neves continua)